ENTREVISTA FEITA AO BINDA PELO BLOG TCHOWA-UNDERGROUND


NDALA: Quando e em que beco te encontraste com o R.A.P?
BINDA: Lembro-me que imitava acrobacias que via em filmes e Vídeo clips, mas não sabia o nome nem o estilo de Dança, só sei que queria dançar como o MC HUMER, os Criss Cross e Michael Jackson. A partir de 1996 fui bebendo dos J.N.G, o grupo de Rap que na qual eu fazia parte como B. Boy. Daí a porta do R.A.P se abriu quando decidi cantar, entrei no labirinto, andei, andei até encontrar a ALA SUL.
ND: Foi difícil afirmar o teu estilo próprio?
BINDA: Sim, foi muito difícil e continua sendo, no inicio tinha uma visão precoce, queria ser eu mas não sabia como ser, só de saber que tinha que me enquadrar entre os bons MCs, sentia calafrios mas eu tinha que ser eu, dai a coragem e dedicação e acima de tudo a paixão pela cultura hip - hop fez-me perceber que o artista é livre e que transpira a sua filosofia de vida, em função da sua própria cultura. As pesquisas feitas sobre hip hop mais a nossa identidade cultural afirmam o meu estilo próprio.
ND: Tens sido convidado para espectáculos?
BINDA: Sim, participo em alguns e se tivesse que escolher prefiro um show no Gueto, onde me espelho com os cordeiros.
ND: Consegues muito rapidamente falar do teu percurso da tua carreira?
BINDA: Fui B. Boy do grupo J.N.G, fui um dos integrantes da dupla B2 como também fiz parte da Fusão em Ebulição, sou soldado da Ala Sul, membro da 3D ProEdit e das Produtoras Bula Nvesse (Luanda), e Bav. Records (Cabinda).
ND: Qual a tua apreciação sobre o hip hop aqui em Cabinda?
BINDA: O nosso movimento anda pobre porque todos querem fazer Rap mesmo sem beber ou conhecer o Hip Hop e assim vamos esgotando a nossa cultura e ouvir gajos a falar a toa. Sem; DJs, B. BOYs, GRAFITEIROS, ACTIVISTAS OU CRITICOS, quando muitos dizem que hip hop está a morrer é nesse aspecto, porque hip hop não é apenas música como todos sabemos...!  
ND: O rap em Cabinda tem futuro?
BINDA: Acredito que sim, porque na medida que vamos crescendo vamos melhorando, caso concreto não somos os mesmos MCs de ontem, mesmo com as portas fechadas o rap local continua a crescer ganhando Álbuns, Mix Taps, Singles e muitos talentos.
ND: Fala um bocado do teu álbum.
BINDA: Meu álbum é nada mais que uma afirmação da longa caminhada no hip hop e a necessidade de enaltecer o rap em Cabinda, espelhar a realidade cabindense e do mundo. Tenho um defeito de não me esquecer de quem sou. 
ND: [Mic na mão] porque?
BINDA: Por ser um dos lados que muitos não conheciam achei a necessidade de intitular o CD com tal nome parecido e encontrei este,"MIC Na MÃO" (Microfone na Mão), significa o outro lado da moeda.
ND: Fale de colaborações do teu disco?
BINDA: De participações só tenho que agradecer a todos eles, algo que não tive oportunidade de o fazer, não tive dificuldades porque trabalhei com amigos e conhecidos mais próximos, Leal, Kilunge, Dora, 2B e por contratempo não tive os 3D, Ala Sul, o Holograma do Deserto (Kussi), Phai Grand, K7 e nem o Jú Pata mas são pessoas que sempre me deram energias. Aos meus amicíssimos e irmãos: Khonfuso, H MC, Feka, Sanção, Ananias Muanhas, Ice Nigga e Will the One, fico grato não só pela participação e colaboração, sim, pelo companheirismo.   
ND: Como foi a aceitação do disco?
BINDA: A aceitação do disco foi indiscutível, ganhei reconhecimentos, opiniões positivas e negativas pelo conteúdo do CD, hoje sou como sempre fui um ícon no Rap Revolucionário em Cabinda, não foram tiradas muitas cópias e nem me preocupei em vender muito por ser apenas uma fase de afirmação, ofereci mais do que vender por que não é fácil sair do anonimato sem patrocínios e nem passar pela Mídia. 
 ND: O tema "Discurso" que é o decimo quarto do disco, vem com que propósito?
BINDA: O Discurso de Amílcar Cabral, serve de reflexão para os africanos em particular Cabinda: Nós temos o direito de viver livres como outros povos do mundo. Senhores de nosso próprio destino.
ND: Projectos do futuro.
BINDA: Segredo é a arma do momento!
ND: Como caracteriza o rap que era feito nos tempos em que marcavas os primeiros passos, e o que é feito agora.
BINDA: Meu, Hoje o Rap está doce principalmente para quem acompanhou a evolução e preocupou-se não só com a letra mas também com o flow, o público hoje é muito exigente e o mercado é competitivo. A produção e Edição também subiram positivamente, diferente dos tempos remotos, é pena que a ganância e vaidade de muitos desarmoniza os Rappers e o Rap.
ND: Como encaras essas cenas de underground vs commercial
BINDA: Acho cómico! Under implicar-se com commercial por promover ilusão, commercial preocupado com under por vender CDs, esquecem-se que cada um tem os seus objectivos na vida e o mais importante é ser verdadeiro com ele mesmo e com seu público alvo, eu como um Consciente faço o meu rap como um bom pastor que vende a Bíblia para salvar almas e anunciar as boas novas, recebo ofertas para sobreviver e edificar a Igreja. Commerciais são como empresários ou comerciantes que fazem de tudo para vender apenas o seu produto. Sei perfeitamente que ninguém vive sem dinheiro, mas eu procuro uma maneira digna para sobreviver.
ND: Como está hoje o cenário da música Rap em Angola? Quais são as maiores dificuldades?
BINDA: Pelo volume de CDs de Rap que se produz mensalmente ou anualmente seria muito bom se todas as músicas tivessem qualidades necessária e que todos tivessem as mesmas oportunidades mas em Angola até agora tem sido difícil para a maioria que não é da associação "..." e não tiver massa e garfo na cozinha, caso contrario precisa de muita sorte porque os filhinhos de papais estão afrente de tudo. A maior dificuldade são os próprios rappers, a Mídia que mal ajuda a divulgar, preços exagerados no que toca a produção duma música, falta de meios financeiros e apoios, má formação e informação do publico, irresponsabilidade de muitos produtores, falta de espectáculos, falta de reconhecimento e dignidade pelos Rappers.
ND: Quais são as suas influências na música?
BINDA: Politica, cultura e a sociedade tem sido o meu palco de inspiração. Só de saber que muitos não sabem que até o preço de pão depende de politica fico triste!
ND: Fale um pouco sobre o teu trabalho. Quando começou? Quais foram as motivações?
BINDA: Para começar tu és um dos impulsionadores, tenho também como exemplo: ALA SUL, o Perdido, o Gui Coss, o Kiabo, o Kiala, o Mayúnga, o Khonfuso, o Tcheck, o Men, o Bleck Ston, o Feka, o Sanção, o H. Mc e Sebas como também a minha família, meus amigos e outros que me conheciam, naquilo de dizerem: quando é que o disco sai, já faz tempo, mostra o teu trabalho etc. senti a obrigação de partir para o duelo. 2005 Em Luanda reencontro-me com o Sebas e reatamos a dupla "Fusão em Ebulição", Pretinho apresentou-nos ao Feka o Produtor da Instinto e tudo começou depois de gravarmos a 1º música "DOI" já não queríamos parar, infelizmente a dupla não podia continuar por que a religião obrigou o meu companheiro a tomar outro rumo. Ai, o Binda continuou com ou sem sobressaltos, instinto Record parou por falta de tempo do Produtor, o Estúdio combinações de Sons (Sanção) também a mesma coisa, passei para Cabaça Produções com o Will de One mas não me sentia em casa embora existir amizade, H MC falava-me das suas produções e logo que ouvi me interessei e fui lá ter já com algumas faixas musicais produzidas pela Instinto, Combinações de Sons e Cabaça produções até 2009 Mic na Mão pronto em Outubro e já nas ruas de Luanda, Cabinda, Lubango e Soyo, graças ao H.MC pela Bula Nvesse Produções.
ND: Qual é a música que toca mais no teu ipod?
BINDA: Combatentes da Fortuna - "Azagaia"
ND: Músicos que mais admiras?
BINDA: WU TANG, Dr. Dree, BIG PUN, 2 PAC, ONIX, NAS, FUGES, NACH, BOSS AC, VALETE, Bob (Senso Comum), AZAGAIA, MC K, Flagelo Urbano, Wima Nayobi, Denexl, Cool Clever, Keita Mayanda, Feka, Kilunge, Khonfuso, Phai Grand, Duo Dinâmico, P.C.M e Brigadeiro Mata Fracos, são muitos que admiro e é difícil recordar-me de todos, admiro uns pelas musicas e outros como pessoas.  

OBRIGADÃO PELO TEMPO DISPENSADO MC DE RAIZ

ENTREVISTA FEITA PELO NDALA AOS 08-10-10




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Sobre: Néfilim Hespanhol

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